segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ah, você é Músico! Que legal! Mas você trabalha com o quê mesmo, hein?


É de ficar possesso! Vivemos sim numa socidedade com hierarquia de valores das àreas de conhecimento [acho que é Bourdieu quem fala isso]. Enquanto algumas profissões tem um grande prestígio "de graça", outras têm que se afirmar no mercado (e na Academia) diariamente. Tudo bem. Isso, no mínimo, gera engrandecimento. Mas já não é de hoje que o músico é rotulado de vagabundo. Ok! Já foi bem pior, mas a nossa sociedade ainda cultiva um resto de ironia no olhar para quem ousa dizer que é músico e que trabalha como todo mundo, pois para uns trabalho é só aquele onde se "bate o ponto", aquele que tem rotina. O músico ainda é associado exclusivamente ao entretenimento: servimos apenas para divertir quem trabalha sério e tem que acordar cedo no dia seguinte. Mas se todos no mundo, sem excessão, convivem com música desde na barriga da mãe até na hora de seu enterro, por que não incentivar alguém que expressa um desejo de se tornar um profissional em música.

Na minha opinião, fazer o que gosta (quando se tem certeza do que se gosta) é o primeiro passo para o reconhecimento profissional. O dom, o talento, e todas as habilidades atribuídas ao divino são nada mais nada menos do que resultado de anos de paixão pelo que se faz. Me apropriando de Paulo César Pinheiro (que já disse que "ninguém faz samba só porque prefere") afirmo sem medo de errar que "ninguém é músico porque prefere", tem que gostar muito da coisa e ralar demais, meses e meses ensaiando às vezes com previsão de um único show que nunca paga as horas de ensaio. É isso mesmo, ensaio também é trabalho e na maioria das vezes não é remunerado. Você gosta de música? Então valorize o músico. Pois nós trabalhamos duro durante um mês ou mais pra te fazer feliz por uma ou duas horas.

Meus parabéns a todos os músicos profissionais, especialmente para os que conseguem sustentar ao menos a si próprio apenas com música.